
Existem muitos mitos sobre o silicone utilizado em cirurgias plásticas. Muitos falam em complicações, riscos à saúde, mas o número de pessoas que se submetem a operações para moldar o corpo com essa substância cresce a cada dia em todo o mundo. Todos os tipos de silicone são compatíveis com nosso corpo? Há alternativas melhores?
Para começar, é muito importante distinguir o silicone líquido da prótese de gel de silicone. A diferença é substancial: o primeiro é proibido tanto na Europa como nos Estados Unidos, por ser causador de famosas complicações que deformam corpos e prejudicam a saúde.
No Brasil há resoluções da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) junto com escritórios do Conselho Regional de Medicina (CRM) que proíbem uso de silicone líquido para uso médico.
As próteses, por outro lado, alcançaram um alto grau de qualidade e satisfação entre ex-pacientes.
A cirurgia estética segue evoluindo, e o silicone já está sendo substituído por novas técnicas como o gel de ácido hialurônico - para pequenos preenchimentos, e mais estável e uniforme - ou gordura humana (lipoenxertia).
Silicone não! Gel de silicone, sim!
Quando se fala popularmente em operações de estética, utiliza-se automaticamente a palavra silicone. Mas é importante esclarecer o conceito. O silicone em si é um composto químico natural que está presente em vários artigos médicos e industriais. De características incolores e inodoras, uma de suas principais qualidades é a maleabilidade e a fácil combinação com outros elementos.
O produto é aplicado em formas muito diferentes. Por isso, quando falamos de silicone em cirurgia estética, na realidade estamos nos referindo a próteses recheadas com gel de silicone.
Essas próteses são muito utilizadas nos seios ou na região glútea, e, no caso dos homens, nos músculos peitorais e na panturrilha. Apresentam como vantagem principal uma longa duração (se não há complicações, não é recomendável voltar a operar em até dez anos) e um resultado satisfatório para as pacientes, que podem escolher o tamanho e a forma exatos do produto.
Mau uso
Muito diferente é a utilização do silicone líquido, uma substância que já provou ser perigosa para o corpo humano e que foi usada há anos para realçar a beleza, e ainda aplicada em muitas clínicas de estética por pessoas não especializadas.
"Operei muitas pessoas que já tinham injetado silicone líquido. As pessoas ficam às vezes com as pernas inchadas, e podem entupir vasos sanguíneos. Como é liquido, ele sofre a ação da gravidade e vai descendo pela gordura. O paciente pode ter de conviver eternamente com o problema", avalia o presidente da Regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o médico Sérgio Levy.
"Para evitar isso, os interessados em fazer uma cirurgia plástica devem procurar a SBCP e buscar especialistas na área, pois estes atuam de forma fiscalizada", completa Levy.
Para outro especialista, o doutor Ramón Vila-Rovira, cirurgião plástico e estético do renomado Centro Médico Teknon de Barcelona, na Espanha, "trata-se de
uma questão grave de intrusão que afeta diretamente a saúde dos pacientes, atraídos por preços mais baratos e promessas de qualidade inexistentes".
Novas tendências: a gordura humana
Mas a cirurgia avança e dá a impressão de que o silicone já é coisa do passado. O que está na moda? A julgar pelas últimas descobertas, o gel de ácido hialurônico e o aproveitamento da própria gordura corporal, que passaram a concorrer com as próteses de gel de silicone, apresentam melhores resultados a cada dia.
No caso dos lábios e das maçãs do rosto o uso do gel de ácido hialurônico já é algo definitivo. O produto é absorvido com ótimos resultados, e é possível escolher ainda a quantidade, que deve ser renovada a cada seis meses ou um ano, aproximadamente.
Mas a revolução mais importante, segundo Ramón Vila-Rovira, é a aplicação de gordura dos próprios pacientes. A operação é simples: faz-se uma lipoaspiração em alguma parte do corpo, trata-se a gordura extraída, e depois essa gordura é aplicada na parte desejada.
Embora não seja fácil assegurar que o volume será o definitivo (da gordura aplicada, uma parte é absorvida pelo corpo), é uma técnica que garante que não haja rejeição da substância, pois pertence ao próprio organismo.
"Nos glúteos, parece que os resultados são melhores", explica o doutor Vila-Rovira. No caso dos implantes mamários, no entanto, há um porém: "podem atrapalhar a detecção de um câncer em exames como a mamografia", acrescenta o médico espanhol.
Mas, enfim, opero ou não?
Tendo sido definido qual é o bom uso do silicone (a forma de próteses recheadas de gel de silicone), só cabe destacar a importância de a aplicação ser feita por um profissional.
Vantagens? As próteses mamárias dão muito bons resultados e permitem definir tamanho e forma. Apenas em 5% dos casos aparecem complicações como infecções ou "encapsulações". Nesse caso, a prótese cicatriza e fica dura como uma pedra, com o paciente tendo que recorrer a uma operação cirúrgica para extraí-la.
Para as outras partes do corpo, a tendência mundial nas melhores clínicas é modelar a partir de gordura humana, a forma mais natural e menos agressiva para o organismo.
Vale lembrar que qualquer intervenção cirúrgica tem seus riscos, que também estão relacionados ao estado do paciente. Anestesias, infecções no pós-operatório, reações adversas e dor são efeitos que podem surgir tanto por uma apendicite como por um aumento dos seios.
Destaques
O silicone líquido é proibido tanto na Europa como nos Estados Unidos pelos riscos que apresenta à saúde. No Brasil há resoluções da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) junto com escritórios do Conselho Regional de Medicina (CRM) que proíbem uso de silicone líquido para uso médico.
A prótese de gel de silicone, por sua vez, dá ótimos resultados, graças a seu atual alto grau de desenvolvimento e qualidade.
Muitos médicos garantem que o uso de gordura do próprio organismo do paciente para realçar outras partes do corpo resulta em uma técnica muito mais eficaz que a utilizada nas próteses de silicone. Deve-se ter atenção com relação à quantidade injetada neste caso.
É importante recorrer a profissionais para ter mais informações e solicitar operações de cirurgia estética e não correr o risco de utilizar produtos nocivos como o silicone líquido.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Silicone sim, silicone não
Postado por Grupo Dathica de Comunicação às 16:03:00
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