segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Voto de latinos é desafio de Obama na "superterça"


Por Daniel Trotta
NOVA YORK, EUA (Reuters) - A idéia de que os norte-americanos de origem latino-americana não votarão em Barack Obama pelo fato de ele ser negro não passa de um mito, afirmam analistas.
Segundo a opinião corrente, o pré-candidato encontra-se atrás de Hillary Clinton nesse universo de eleitores porque a senadora corteja os latinos há muito mais tempo e porque Obama demorou para fazê-lo.
Um grande número de eleitores de origem latino-americana deve votar na "superterça" de 5 de fevereiro em Estados como a Califórnia, Nova York, Nova Jersey, o Arizona e o Novo México, onde, segundo pesquisas de opinião, Hillary lidera a corrida pela vaga do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos EUA.
No total, os democratas realizarão prévias em 22 Estados na terça-feira, o dia mais importante do processo de escolha dos candidatos de cada legenda para o pleito de 4 de novembro.
Os latinos podem responder por até 25 por cento do eleitorado nas primárias democratas da Califórnia. Há menos eleitores desse tipo em outros Estados, mas o número deles é suficiente para fazer pender a balança em favor de um ou outro candidato quando a disputa estiver apertada, caso compareçam às urnas.
Na primeira disputa pela vaga democrata com um número significativo de latinos -- em Nevada, no dia 19 de janeiro, Hillary ficou com 64 por cento dos votos, contra 26 por cento para Obama, segundo uma pesquisa de boca-de-urna da MSNBC.
"Para falar de forma simples, é errado olhar para a votação em Nevada e descrevê-la como uma votação contra Obama ou contra os negros", disse Matt Barreto, cientista político da Universidade de Washington.
Barreto citou como motivos para aquele resultado o fato de o nome de Hillary ser mais conhecido e de Bill Clinton, marido dela, ainda contar com grandes índices de popularidade de sua época como presidente, quando nomeou centenas de latinos para cargos do governo federal.
Hillary, que pode se transformar na primeira mulher a comandar os EUA, também venceu as primárias da Flórida, onde 12 por cento dos eleitores democratas são latinos. E, nesse grupo, bateu Obama por uma margem de 2 votos a 1. Mas os pré-candidatos não realizaram campanha no Estado devido a uma disputa intrapartidária.
Analistas de política prevêem que a senadora ficará com o voto da maioria dos latinos na superterça, mas dizem que Obama poderia vencer nesses Estados se conseguir diminuir a vantagem de Hillary entre esses eleitores.
Sergio Bendixen, um especialista em pesquisas que trabalha para a pré-candidata, gerou polêmica ao dizer para a revista New Yorker: "O eleitor latino -- e eu quero dizer isso com muito cuidado -- não mostrou muito pendor ou muita disposição para apoiar os candidatos negros."
Barreto e outros especialistas que estudam a tendência de votação entre esses eleitores dizem que Bendixen está enganado. E para provar seu ponto de vista, citaram vários exemplos recentes nos quais candidatos negros conquistaram uma grande maioria dos votos latinos em corridas por governos estaduais ou municipais.
"A sugestão de uma polarização entre negros e latinos pode ser descrita como profundamente exagerada", afirmou Rodolfo de la Garza, cientista político da Universidade Columbia, de Nova York.
Se Obama, que pode se tornar o primeiro presidente negro dos EUA, não tiver um bom desempenho entre os eleitores latinos na superterça, o fato seria resultado principalmente da falta de senso de oportunidade do pré-candidato, afirmaram especialistas.
"Um dos maiores mistérios estratégicos dessa incrível campanha tem sido a demora de Obama em apelar para essa comunidade. Até poucas semanas atrás, era mesmo difícil de saber se o candidato tinha se esforçado, de alguma forma, para conquistar o voto dos latinos", escreveu em um ensaio Simon Rosenberg, presidente do grupo de pesquisa NDN.
(Reportagem adicional de Adriana Garcia, Jeff Mason, Adam Tanner e Ellen Wulfhorst)

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