segunda-feira, 3 de março de 2008

Peritos investigam queda de avião (RJ)


A queda do monomotor que matou quatro pessoas assustou os moradores da Barra da Tijuca. A investigação já começou para explicar as causas do acidente.


A equipe do RJTV estava próximo ao local, ontem, na hora do acidente e viu a fumaça preta no céu. O cinegrafista Carlyle André foi o primeiro a registrar o avião ainda pegando fogo e a chegada do Corpo dos Bombeiros.

O local da queda continua isolado. Mais cedo, peritos estiveram por lá. A proximidade do aeroporto com os prédios e as casas assusta os moradores.

Todos os dias, há dois anos, a comerciante Edith Azevedo vende café na rua onde aconteceu o acidente. Um trabalho que até ontem parecia tranqüilo. “Ficamos preocupados com as pessoas”, diz.

Os moradores da região dizem conviver com o medo há muito mais tempo.

“É muito perigoso”, aponta o morador Fernando Canaléia.

No ano passado, a Câmara Comunitária da Barra pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que não autorizasse mais a decolagem de vôos interestaduais do aeroporto de Jacarepaguá. Segundo a Infraero, no ano passado o movimento foi de 51.949 aeronaves, 70% do registrado no Aeroporto Santos Dumont. Em relação a 2006, o aumento foi de 16%.

“Não queremos dizer que tire o aeroporto, não é o caso. Mas ele deve atender o que está projetado para ser, simplesmente um aeroclube”, opina o presidente da câmara comunitária Delair Dumbrosck.

O monomotor modelo Cirrus SR-22, de prefixo PR-IAO, decolou do aeroporto de Jacarepaguá, no domingo, pouco antes de meio-dia. Três minutos depois, caiu no pátio de uma concessionária de automóveis na Avenida das Américas, a poucos metros de um condomínio.

Na hora do acidente, um segurança estava no prédio da concessionária, atingido pelo avião. Assustado, Robson de Souza Martiniano saltou de uma janela do segundo andar e teve ferimentos leves. “Eu vi o impacto do avião e tive que pular do segundo andar”, conta

O monomotor levava quatro passageiros para Santa Catarina. Todos morreram. Os corpos dos empresários Gilmar Detoni e Sílvio Vanzela, do dono da aeronave, Joci Martins e do piloto ainda estão no Instituto Médico Legal (IML). O comandante Frederico Carlos Xavier de Tolla era considerado experiente. Tinha 25 mil horas de vôo e também trabalhava como instrutor.

As conversas entre o piloto e a torre de controle devem ser ouvidas ainda hoje, segundo o superintendente do aeroporto de Jacarepaguá. Mas as causas do acidente só devem ser esclarecidas em dez dias, quando fica pronto um laudo preliminar, feito em conjunto pela Polícia Civil, a Anac e o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes de Aeronaves.

O piloto teria dito que o avião estava pegando fogo, por isso está sendo investigada a hipótese de vazamento de combustível. O uso de querosene em vez de gasolina, na hora em que a aeronave abasteceu, também não é descartado, mas, segundo Luiz Fernando Marques, superintendente do aeroporto de Jacarepaguá, a responsabilidade pelo combustível é da Petrobras, já que um caminhão-tanque da empresa teria abastecido a aeronave.

No fim da manhã, peritos da Polícia Civil e o delegado responsável pelas investigações estiveram no local. Os pedaços da fuselagem foram retirados – trabalho que teve que ser feito por técnicos da Aeronáutica, usando roupas especiais, porque entre as peças havia um cilindro que corria o risco de explodir.

“Em cinco ou seis dias teremos um laudo mais complementar, mais adequado e, quem sabe final, para o acidente”, calcula o delegado responsável pelo caso.

O delegado responsável pelo caso disse que o motor da aeronave estava em bom estado e que a caixa-preta do avião vai para os Estados Unidos. A análise deve ficar pronta em dez dias. A BR-Distribuidora não quis se pronunciar sobre o caso.



No início da tarde, o delegado informou que ouviu uma pessoa responsável pelo abastecimento da aeronave, que afirmou ter usado querosene, por determinação do piloto. Segundo a polícia, o piloto é o responsável por decidir sobre o combustível. O delegado apontou que há uma nota fiscal no valor de R$ 960, assinada pelo piloto, referente ao combustível.

A Infraero informou que não houve qualquer problema com a pista, nem com a torre de comunicação. Disse ainda que o aeroporto de Jacarepaguá está liberado para pousos e decolagens de aeronaves de pequeno porte e que a fiscalização dos aeroportos cabe à Anac. Por isso, o gerente-geral de investigações da Anac, Carlos Eduardo Pelegrino, conversou com o RJTV.

RJTV – O piloto teria feito contato, dizendo que o motor estava pegando fogo. Que providências poderiam ter sido tomadas naquela hora para evitar um acidente?

Carlos Eduardo Pelegrino – Essas são informações preliminares, que estão sendo consideradas uma das hipóteses da investigação. Nessas horas, dependendo do tipo de aeronave, o piloto tem uma série de procedimentos a serem feitos. No caso específico dessa aeronave, estamos levantando toda e qualquer ação que ele deveria ter tomado. Isso faz parte da investigação, para que novos acidentes como esse se repitam.

O aeroporto de Jacarepaguá comporta o aumento de volume de aviões?

Não podemos considerar um aumento de volume. Há um contínuo tráfego de aeronaves

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