segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Os estranhos desejos das grávidas

Como se explicam essas vontades esdrúxulas?




“Eu acordei num sábado de manhã, chamei o meu marido e falei “estou com vontade de comer cimento”, conta a assistente administrativa Érica Arruda.

Um desejo incontrolável, que ultrapassava os limites da razão. Érica até tinha medo que o cimento fizesse mal ao bebê, mas quem disse que isso era suficiente para diminuir a vontade?

“Insisti, insisti, até que o convenci. Ele subiu em um muro, pegou, lavou, coloquei na boca, mas ainda tinha medo de engolir, para não prejudicar o bebê. Então, fiquei mastigando aquilo um tempão e depois joguei fora e lavei a boca. Para mim, aquilo foi iguaria dos deuses naquele momento”, relembra.

Que vontade é essa que leva uma grávida a provar coisas tão estranhas? Nos consultórios médicos, o cardápio bizarro escolhido por algumas grávidas é definido como uma compulsão e, em alguns casos, pode até ter explicação cientifica.

Cenoura todo dia, a toda hora. Até aí, um desejo do tipo convencional. Mas a grávida queria mais.

“Uma vez comi uma cenoura da horta, nem quis lavar, tinha um torrão de terra junto. Foi deliciosa a experiência. Eu tinha vontade até de comer a terra mesmo”, relembra a empresária Andréa Fishmann.

Os exames pedidos pela obstetra confirmaram uma teoria do tempo da vovó: Andréa precisava de ferro, tinha anemia.

“Os nutricionistas tentam associar esse desejo à deficiência de, por exemplo, de ferro, zinco, cálcio, selênio, que são micros nutrientes que você tem no solo. Outros cham que a pessoa está comendo terra para um sentido de proteção”, explica Flávio Garcia de Oliveira, médico ginecologista.

Uma pesquisa britânica feita pela internet com 2,2 mil grávidas mostrou que 75% das entrevistadas tinham desejos por comida e um terço delas tinha vontade mesmo é de comer coisas tão esquisitas quanto carvão, pasta de dentes e sabão.

“O desejo normal é por carboidratos, por manga, por jaca. Mas esse é um desejo que passa, lá pelas 3h. O desejo compulsivo, esdrúxulo, pervertido, não passa. Ele só passa a partir do momento que a grávida consome a substância”, revela Flávio Garcia de Oliveira.

Desejos à parte, a grávida precisa seguir uma boa dieta para que o bebê se desenvolva bem. Receitas simples, com ingredientes baratinhos, ajudam as grávidas a ter uma alimentação saudável, como o frango com caju e a fritada de batata doce.

Veja aqui a receita de Frango com castanha de caju

Veja aqui a receita de Fritada de batata doce

“Essas duas receitas são muito ricas em vitaminas, vitaminas A, C e do complexo B”, diz Flávio.

Só que nem sempre as vontades das grávidas têm a ver com a falta de nutrientes. Muitas vezes têm fundo emocional.

“Inconscientemente, muitas vezes é direcionado a uma forma de ela vincular o interesse do marido a uma participação durante o desenvolvimento da gravidez. É uma maneira estranha da paciente buscar colaboração, buscar a cumplicidade, mas não tem nada de simulação”, explica Sergio Peixoto, professor de Medicina da USP.

A psicóloga Geise de Almeida Silva, grávida de cinco meses, queria mesmo sentir o sabor da infância quando fez os pais saírem da grande São Paulo e fazer uma viagem de 500 quilômetros atrás de um desejo.

“Queria um cheese salada do sul de Minas, da cidade de Andrelândia. Eu sentia o cheiro daquele lanche e a minha boca salivava. Tentei comer um outro cheese salada, fui em alguns lugares da cidade, mas não era o gosto”, conta ela.

“Valeu a pena buscar este lanche. Afinal, o que a gente não faz por um filho, né?”, garante Fátima de Almeida, mãe de Geise.




>Os alimentos e vitaminas em cada trimestre da gravidez:











1º Trimestre (0 ao 3 meses de gestação):

No primeiro trimestre de gravidez, as vitaminas do complexo B e o ácido fólico precisam estar na dieta das grávidas, pois são fundamentais para a formação correta dos tecidos e do sistema nervoso do bebê. As vitaminas B e o ácido fólico são importantes para dar energia e formar hemácias que vão fortalecer o corpo das mulheres e do bebê. O ácido fólico também é um ótimo alimento para o cérebro, prevenindo doenças no tubo neural do bebê que está no início da fase de formação.

2º Trimestre (3 ao 6 meses de gestação):

No segundo trimestre o foco da alimentação muda para alimentos que contenham ferro e fibras. O ferro é importante para formar uma quantidade maior de sangue enriquecido no organismo das gestantes. Durante a gravidez observa-se um aumento de 50% no volume de sangue no organismo das gestantes. Esse aumento é importante, pois as mulheres perdem muito sangue na hora do parto, então ela precisa de sangue para perder e formar o sangue do bebê.


O principal alimento fonte de ferro é a carne vermelha. O ferro animal é mais bem absorvido pelo organismo que o vegetal que também precisam ser consumidos. Os principais alimentos fonte de ferro vegetal são verduras e legumes de casca escura como couve, brócolis, espinafre e rúcula. Para que o corpo absorva o ferro vegetal, é necessário a ingestão de fontes de vitamina C que pode ser encontrada no suco de laranja, por exemplo.

3º Trimestre (6 ao 9 meses de gestação):

No terceiro e último trimestre de gestação, as mulheres e o bebê precisam comer alimentos que contenham cálcio e gordura do tipo ômega 3 que é a fonte mais importante em todo o processo de gestação. É o ômega 3 responsável para ajudar na formação do cérebro do bebê, além de ajudar as grávidas que nesse período de gravidez tornam-se mais esquecidas, devido ao encolhimento de 3% do cérebro.
O cálcio e o ômega 3 são substâncias envolvidas na prevenção da hipertensão na gravidez e do parto prematuro. Estudos recentes, segundo o doutor Flávio, dizem que o bebê da mãe que usou ômega 3 no último trimestre de gestação dorme melhor. Isso confirma a afirmação de que o ômega 3 tem uma ação no cérebro do bebê.




Pós-parto:
Após o parto, a grávida precisa manter a alimentação que ela teve durante os 9 meses de gestação. A água é o elemento fundamental em todos os trimestre, principalmente no último, pois ajuda a relaxar o útero na hora do parto e hidrata a pela de dentro para fora.

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